Pontuações

Minha escrita sempre foi cheia de interrogações. Seja no próprio texto, na ideia por trás dele, ou sobre como escrevê-lo, essa pontuação me persegue. Eu deveria estar escrevendo o meu primeiro post com sono e sem inspiração? Esse é o melhor jeito de formular o texto, as frases? Trocar palavras o beneficiaria? Existe uma maneira melhor de expressar o que eu estou querendo dizer? Se eu lesse esse texto, sendo ele de outra autoria, eu o acharia bom? Eu exagero em metáforas e analogias?

Consequentemente, agora mais na esfera das ideias, eu tenho muita dificuldade com pontos finais. É uma birra mesmo. Como é que eu termino um texto sobre meus pensamentos se a única conclusão que eu imagino para eles é a minha morte? O cérebro humano é cheio de interrogações, exclamações, vírgulas e reticências, mas pontos finais são raros, como deveriam ser. Eu, particularmente, não gosto de pessoas que têm muitos desses, mas que alívio eles devem ser. As ideias sem fim pesam muito mais, rendem muito mais, confundem muito mais. É dessa confusão que eu quero falar.

Então eu decidi jogar pro alto essas reflexões. Não, não é bem isso. Eu decidi pegar tudo o que fica jogado na minha cabeça e colocá-lo em algum lugar. Jogar pro alto mesmo eu quero jogar as pontuações. Vou utilizá-las como as ferramentas que elas são, dar voz às reticências, às exclamações, aos etcéteras etc, mas sem me sentir presa aos seus sentidos e finalidades, até porque eu nunca gostei de finalidade e ela nunca gostou de mim.

Ponto final?